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14/04/2013


O desafio dos 50 livros - 1a parte

Brincadeirinha do Facebook que optei por deixar registrada aqui, como forma de demonstrar meu amor pela leitura.

 

01. Um livro que marcou a sua infância



Todos os do Monteiro Lobato, dos quais o primeirão, presente da querida tia Clissia Cabral, foi esse aqui:

 

 

02. Um livro que marcou a sua adolescência
Além da história verdadeira e impactante do rapaz que se torna tetraplégico no auge da juventude, depois de na infância ter visto o pai ser "desaparecido" pelo regime repressor (crime que só agora, 40 anos depois, vem a ser esclarecido), Feliz Ano Velho foi inesquecível na minha juventude pela linguagem revolucionária. Era a primeira vez que lia um livro que falava a língua dos jovens, um monte de gírias e coloquialismos que nem nós mesmos, adolescentes burgueses e pacatos, conhecíamos, e descrições literais e sinceras da verdadeira vida de sexo, drogas e rock'n'roll de um jovem da geração dele. Tornei-me fã de Marcelo Rubens Paiva para sempre.

 

 

 

 03. Um livro que você considera um clássico



Um clássico é um livro que sobrevive à sua época, um livro que perdura por gerações, e isso só acontece quando cada nova releitura trouxer algo novo, quando o livro revelar uma nova face cada vez que for relido. Quer clássico maior do que um romance sobre adultério que até hoje provoca controvérsias entre os que acham que o adultério realmente ocorreu e outros que acreditam não passar de paranóia do narrador?

 

 

Cenas da belíssima minissérie de Luiz Fernando Carvalho, Capitu, baseada no clássico de Machado de Assis, ao som da música Elephant Gun, da banda Beirut:

 

 

04. O melhor livro de seu autor favorito



Uma velha atriz decadente, uma psicanalista solitária e um gato que rememora suas encarnações como ser humano. Esses são os três protagonistas de As Horas Nuas, que considero a obra-prima daquela que é senão meu autor favorito, um dos top five: Lygia Fagundes Telles.

 

 

05. Um livro ruim de um autor bom



João Ubaldo Ribeiro é um autor com quem tenho uma relação de amor e ódio. A Casa dos Budas Ditosos foi um dos livros mais ousados, engraçados e delirantes que já li na vida. Por outro lado, Viva o Povo Brasileiro foi um dos mais chatos e pretensiosos romances brasileiros que li. Que o autor escreve bem, não se discute: há inclusive momentos brilhantes no livro, como quando parodia A Ilíada de Homero usando os orixás do candomblé no lugar dos deuses gregos no campo de luta. Mas o livro como um todo me soou extremamente repetitivo, demagógico e estereotipado.

 

 

06. Um livro ruim que você tenha gostado



Se fosse tentar ler um livro do Sidney Sheldon com o repertório de vida e de cultura que tenho hoje, provavelmente não passaria da quinta página, tantos são os clichês usados nesse tipo de literatura (ou sub-literatura, como queiram). Mas como li O Outro Lado da Meia Noite na adolescência, o que ficou na memória foi um romance eletrizante, que prendeu a atenção do começo ao fim da história!

 

 

07. Um livro com uma ótima adaptação para o cinema


Na grande maioria das vezes me decepciono com adaptações cinematográficas de livros que já li, por um desses dois motivos: a) o filme não passa de um resumão do livro, sem trai-lo mas também sem acrescentar nada de novo, e nesse caso não vejo razão para fazê-lo; b) na tentativa de se diferenciar da obra literária, o filme cai no extremo oposto e acaba fugindo completamente à essência da obra retratada. Raros são os filmes que mantêm a essência do livro em que se baseiam e ao mesmo tempo lhe acrescentam algo, jogando uma nova luz sobre a história, ou dando-lhe um foco diferente. As Horas, o filme de Stephen Daldry baseado na obra de um de meus autores favoritos, Michael Cunningham, o qual por sua vez homenageia o clássico Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf, é um desses casos raros.

 

 

 

08. Um livro que fala de situações reais



A Queda para o Alto é uma autobiografia de Anderson Herzer, nascido Sandra Mara, um transexual desajustado numa época em que o termo "transexual" nem existia ainda. Publicado postumamente, é uma história triste de alguém que sofreu pra caramba, perdeu os pais ainda criança, cresceu na marginalidade, conheceu o inferno na Febem e mesmo com a mão amiga do hoje senador Eduardo Suplicy, que conseguiu enxergar o ser humano sensível atrás daquela couraça de adolescente infrator, não conseguiu superar seus demônios e acabou se suicidando. O livro foi adaptado em 1987 por Sérgio Toledo com o nome Vera, e estrelando uma jovem Ana Beatriz Nogueira numa atuação que lhe rendeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Berlim, e Raul Cortez como o deputado baseado em Eduardo Suplicy.

 

 

09. Um livro que você não conseguiu ler inteiro
Raramente desisto de um livro. Posso até deixá-lo hibernando, por algum tempo, às vezes alguns anos, mas sempre com a intenção de retomar a leitura. No caso de Ulisses, de James Joyce, desisti foi da tradução de Antonio Hoauiss, a qual nem tenho mais em minha estante. Decidi que, se um dia for enfrentar o calhamaço, que seja pelo menos na língua em que foi escrito.

 

 

 

10. Um livro que te faça rir



Os livros do Luis Fernando Veríssimo, principalmente os mais antigos. O humor dele se refinou e hoje me arranca sorrisos cúmplices. Mas O Analista de Bagé me arrancava gargalhadas histéricas!

 


 

Leia aqui a primeira -- e hilariante -- crônica do Analista de Bagé.

 

Escrito por will robinson às 03h18
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